
Conta a lenda, que o coito de Shiva e Shakti durou vinte e cinco anos, sem que Shiva vertesse nela o sêmen. Como um elefante aprisionado, ele não podia se mexer. Lendas tântricas como esta tentam ilustrar a visão de mundo dos tantristas, a plenitude mágica e transformadora, alcançada quando integramos as energias masculina e feminina dentro de nós.
O sexo tântrico vem de uma antiga filosofia indiana, que transporta a sexualidade do plano do fazer ao plano do ser. É uma maneira meditativa, espontânea e íntima de fazer amor. No tantra, a mulher é concebida como Shakti, a energia cósmica criativa. O tantra induz o homem a sentir sua companheira de maneira plena.
Além disso, o sexo tântrico considera a ejaculação um desperdício da energia vital, e uma de suas metas é aprender a retardá-la. Aproveite este recurso fabuloso, além de aprender todas as posturas e as técnicas desta filosofia milenar.
Prepare a cena com dedicação: espalhe almofadas confortáveis sobre a cama, tenha à mão óleos aromáticos para o corpo, arrume o ambiente com velas e incensos... Se quiser que seja uma noite inesquecível, separe um bom vinho e alguns ingredientes, como figos, uvas, cerejas, morangos. Depois, é só colocar os ensinamentos em prática...
Prepare um lugar confortável, sensual e tranqüilo. Decidam qual dos dois será, desta vez, o ativo e quem receberá as carícias. Na próxima vez, mudem os papéis.
Para poder experimentar as sensações táteis, é necessário prestar uma atenção especial à certos detalhes. No preparo do ritual, recomenda-se tomar um banho quente para suavizar a pele e relaxar.
A iluminação deve ser fraca: ascender velas é uma boa opção. Finalmente, esquentem os corpos com óleos de essências afrodisíacas; por exemplo, de rosa ou sândalo.
Devem dispor de tempo suficiente para livrarem-se de todas as preocupações. Durante pelo menos uma hora, cada um deve tocar e explorar o corpo do outro. Lembre-se que este terreno é tão acessível quanto inesgotável. Depois disso, conversem sobre as sensações descobertas e desejos despertados.
Mas o Tantra não é só isto. O sexo tântrico não é apenas uma forma de fazer sexo, é uma forma de ligação, uma ferramenta que entrelaça tudo, que cria uma sucessão de energia que passa de um organismo para o outro. A sexualidade no Tantra é assim sagrada: sexo é uma forma de comungar e unir-se com a manifestação divina dentro de nós.
Trata-se de uma forma de se alcançar a energia divina que há no universo. Por isto, qualquer maneira de despertar a serpente oculta que dorme em nós com ritos, massagens, meditação, e inclusive o sexo, é sempre uma prática tântrica.
A linguagem do contato, a pressão e as carícias são o caminho para descobrir uma sensibilidade que não conhecemos ou redescobrir sensações perdidas. Na massagem tântrica, as mãos são a principal ferramenta para um encontro físico, emocional e espiritual do casal. É uma ótima experiência para conscientizar-nos de que dar e receber é um fluxo constante de energia. Além disso, pode ser um delicioso prelúdio para alcançar uma excitação antes desconhecida. Descubra as infinitas possibilidades sentidas atravéz dos corpos:
Apesar da importância de conhecer diversos movimentos de massagem, a sutileza das mãos é indispensável: elas, mais do que qualquer outra parte do corpo, são capazes de transmitir ternura e carinho.
Por isso, acariciar os dedos das mãos, onde existe uma enorme quantidade de nervos, permite um relaxamento muito especial. Comece desde as pontas dos dedos, sempre evitando fazer cócegas, até terminar com ambas as mãos unidas, palma com palma.
O rosto também é uma parte muito pessoal do corpo. Lentamente, com um pouco de óleo nas mãos, percorra os caminhos dos traços: os contornos dos olhos, da testa em direção ao nariz, o volume da boca.
Manual do Sexo Tântrico: carícias
Nada de ejaculação precoce nem pressa: o sexo tântrico busca o prazer máximo e duradouro com os cinco sentidos. Se você quer experimentar o chamado hiperorgasmo, tome nota na dica abaixo e nas dicas ao lado!
Carícias
Uma relação sexual comum dura por volta de 15 minutos. O sexo tântrico deve durar ao menos duas horas. Caso dure menos de uma hora, é considerado ejaculação precoce. O sexo tântrico tem uma duração mínima, mas não uma máxima: quanto mais tempo durar, mais prazer proporcionará. O tantra encoraja o homem a fazer com que sua companheira se sinta divina.
Sem dúvida, os norte-americanos não praticam o sexo tântrico: 70% deles ejaculam apenas dois minutos depois da penetração. O sexo tântrico tem como proposta exatamente o contrário: evitar a penetração rápida e brusca, para que a ejaculação não seja o único motivo da relação sexual.
O sexo tântrico leva em conta que nossa pele possui cerca de 600 mil pontos de sensibilidade. A ejaculação é considerada um desperdício de energia vital e por isso deve-se aprender a adiá-la.
Manual do Sexo Tântrico: começando
Começando
Faz parte do ritual tântrico iniciar o sexo com uma contemplação e adoração mútuas, com palavras doces e carícias, fazendo amor com os olhos bem abertos, sem dispersão ou agressividade, sem pressa e com sentimento.
Depois das carícias tântricas, o passo a seguir é o sexo tântrico, cujo objetivo principal é prolongar a excitação sexual do casal.
O pênis do homem deve penetrar a vagina de sua companheira, mas apenas cerca de dois centímetros e meio. O homem mantém o pênis dentro um minuto, depois o retira e o descansa sobre o prepúcio do clitóris da companheira antes de voltar a penetrar.
Esse jogo deve ser mantido por cerca de vinte minutos, quando se iniciam as dez posições básicas do sexo tântrico. Essas devem ser executadas seguidamente ao longo de duas horas.
Devem ser alternadas por descansos e pausas para que o casal descanse, a ereção se distensione e os corpos reponham forças bebendo ou comendo algo leve.
Manual do Sexo Tântrico: posições
As posições
Depois da introdução, o sexo tântrico começa com o casal sentado, os dois levemente inclinados para trás e se apoiando o peso nos braços. A penetração é lenta e os movimentos pélvicos circulares.
A seguir acontece a penetração profunda. A mulher deve abrir bastante as pernas, quase em forma de V. Compensando o esforço físico anterior, o sexo segue com o casal sentado, cara a cara, os corpos erguidos e as pernas entrelaçadas. É uma postura para abraçar-se, acariciar-se e deixar que circulem os sentimentos.
A postura clássica do missionário é a quarta etapa. O homem deve procurar a todo momento retardar e refrear sua ejaculação, porque a quinta etapa o levará a uma postura mais cômoda: com o homem deitado, a mulher se senta agachada sobre ele em plenitude completa, ambos unidos pelas mãos, fazendo movimentos pélvicos circulares.
Manual do Sexo Tântrico: momento de descanso
Um momento de descanso
A sexta posição é uma variação da anterior: o homem coloca algum apoio (almofadas) sob as costas, nos quais pode apoiar-se. Assim, a mulher pode mostrar-lhe seu corpo e oferecer-lhe seus seios para que ele os beije.
O sétimo passo obriga ambos a se olharem nos olhos e a deter a marcha da relação. É um passo difícil, mas é obrigatório para conservar a energia até o final. Para isso, uma postura clássica com o homem recostado sobre ela é o ideal.
Depois do instante de relaxamento, a oitava etapa coloca o homem em cima, por trás da mulher, ambos estirados, com penetrações profundas.
O nono momento é o das tesouras. É uma postura atípica, na qual ela recebe quase de costas, passando uma perna sobre a cintura do parceiro, que a penetra profundamente, entrelaçando os corpos. É o prelúdio da última postura: ele está semi-incorporado e ela e se senta sobre ele, dando-lhe as costas e deixando-se penetrar suavemente enquanto ele lhe acaricia os seios e beija o pescoço.
Todas as etapas do sexo tântrico foram cumpridas e a excitação dos amantes é absoluta. Este é o momento de viver algo difícil de narrar: o hiperorgasmo
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